Lula vetou

Após veto, Congresso tem 30 dias para decidir futuro do PL da Dosimetria

Governo tem até 48 horas para encaminhar ao Legislativo uma mensagem formal com as justificativas.

Após o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria nesta quinta-feira (8), a palavra final sobre a proposta caberá ao Congresso Nacional. Deputados e senadores deverão decidir se mantêm a rejeição presidencial ou se derrubam o veto para promulgar a lei, que altera o cálculo de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Conforme estabelece a Constituição Federal, o presidente pode vetar projetos que considere inconstitucionais ou contrários ao interesse público. Agora, o governo tem até 48 horas para encaminhar ao Legislativo uma mensagem formal com as justificativas técnicas e políticas que embasaram a decisão.

Rito e quórum para derrubada do veto

A partir do recebimento da mensagem, o Congresso dispõe de um prazo de 30 dias para deliberar sobre a matéria em sessão conjunta. O texto deve ser incluído na ordem do dia e a votação é secreta. Para que o veto seja derrubado, é necessária a maioria absoluta nas duas casas: ao menos 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 votos no Senado Federal.

Caso o veto seja rejeitado pelos parlamentares, o projeto segue para promulgação. Se o presidente da República não o fizer em 48 horas, a tarefa recai sobre o presidente do Senado. Se a omissão persistir, cabe ao vice-presidente da Casa Legislativa cumprir o rito final para que a lei entre em vigor.

Entenda as mudanças no cálculo das penas

O cerne do PL da Dosimetria é a alteração na metodologia de punição para crimes graves. Atualmente, penas para diferentes delitos cometidos em um mesmo contexto podem ser somadas. Com a nova proposta, quando a tentativa de abolição do Estado Democrático e o crime de golpe de Estado ocorrerem juntos, prevaleceria apenas a punição mais severa, eliminando o acúmulo de anos de prisão.

Além disso, o texto propõe:

Revisão dos patamares mínimos e máximos para cada crime;

Mudança na metodologia geral de cálculo das penas;

Redução dos prazos para progressão de regime (passagem mais rápida do fechado para o semiaberto ou aberto).

Impactos políticos e possível judicialização

A proposta é vista com atenção por envolver figuras centrais do cenário político nacional. Entre os potenciais beneficiados pelas novas regras estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e membros de seu núcleo militar, como os generais Walter Braga Netto e Augusto Heleno, além do ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier.

Mesmo se o Congresso derrubar o veto e a lei for promulgada, o imbróglio jurídico pode não terminar. Existe a possibilidade de o PL da Dosimetria ser judicializado e levado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Se isso ocorrer, um ministro relator será designado e a Corte analisará a constitucionalidade da norma. Esse processo pode levar anos, mas, na prática, a regra aprovada pelo Congresso permaneceria em vigor até uma decisão definitiva do tribunal.

 

Do site band.com