A defesa do delegado Braz Morroni pediu à Justiça da Paraíba a conversão da prisão temporária dele em prisão domiciliar humanitária. O pedido foi apresentado durante audiência de custódia realizada após a operação que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas pela Polícia Civil.
Morroni foi preso na terça-feira (2), durante a Operação Perfídia, que apura suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas envolvendo agentes públicos e integrantes de organização criminosa.
Segundo documentos apresentados pela defesa, o delegado foi diagnosticado com câncer de próstata em 2023 e passou por cirurgia no mesmo período. O pedido de prisão domiciliar teve como base relatórios médicos de 2023 e 2024.
No entanto, a juíza Michelini de Oliveira Dantas, da 1ª Vara Regional de Garantias de João Pessoa, negou o pedido durante a audiência de custódia.
A magistrada destacou que a defesa não apresentou laudos médicos atualizados de 2026 que comprovassem reaparecimento da doença, complicações ou estado de extrema debilidade física.
A decisão também levou em consideração o exame traumatológico realizado no dia da audiência, que atestou a integridade física do delegado e não registrou lesões ou queixas de saúde que justificassem a prisão domiciliar.
Com isso, Braz Morroni teve a prisão temporária mantida por 30 dias e foi encaminhado ao Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
Outro ponto citado pela magistrada foi que pedidos de prisão domiciliar humanitária, salvo situações urgentes e excepcionais, devem ser analisados pela vara responsável pelo processo principal.
Nesse caso, a análise do mérito ficará sob responsabilidade da 2ª Vara de Garantias de João Pessoa.
Ao g1, a defesa do delegado informou que o pedido será analisado pela juíza Conceição Marsicano, responsável pela expedição dos mandados da operação. Segundo os advogados, o Ministério Público da Paraíba deverá emitir parecer antes da decisão final.
A Operação Perfídia investiga um esquema criminoso que teria envolvimento de policiais civis no desvio de drogas apreendidas para revenda ilegal em parceria com uma facção criminosa.
Além de Braz Morroni, outros dois agentes da Polícia Civil foram presos. As investigações apontam que integrantes do grupo utilizavam a estrutura pública para favorecer atividades criminosas.
Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos investigados.
O delegado Braz Morroni atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, e possui mais de 20 anos de atuação na Polícia Civil.
Do site paraiba.com.br




