O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que pediu formalmente ao presidente americano, Donald Trump, que designe o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. O pré-candidato se reuniu com o americano na tarde desta terça-feira (26).
“Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficantes, eu vim fazer exatamente o contrário”, afirmou Bolsonaro em pronunciamento após o encontro, contrastando sua visita com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também esteve recentemente nos EUA.
O senador classificou CV e PCC como grupos que “controlam territórios inteiros no Brasil pela força”, submetem populações a leis paralelas, executam resistências, corrompem agentes públicos e operam em dezenas de países. “Quem faz isso não é gangue, é organização terrorista e ponto”, declarou.
Bolsonaro disse que apresentou a Trump o que chamou de “escudo das Américas” – uma aliança hemisférica contra o crime organizado transnacional que, a partir de janeiro de 2027, integraria Brasil, Estados Unidos, Argentina, El Salvador, Equador, Paraguai, Chile, Panamá e República Dominicana.
O senador também abordou a questão dos minerais críticos. Segundo ele, o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e seria “a única alternativa real à China para o mundo livre”. Bolsonaro afirmou que, em seu eventual governo, haverá uma “parceria estratégica de longo prazo” com os Estados Unidos no setor, com investimento protegido e reindustrialização compartilhada.
Sobre tarifas comerciais, o senador afirmou que, sob seu governo, “não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil”, prometendo um acordo de investimentos “na escala dos maiores acordos da história recente”.
Recepção e protocolo
Flávio Bolsonaro descreveu o encontro como cordial. Segundo ele, a primeira pergunta de Trump foi sobre as condições de prisão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro – “um gesto humano” nas palavras do senador. Ao final da reunião, Trump teria presenteado Flávio com uma Challenge Coin, moeda de honra entregue por presidentes americanos como símbolo de reconhecimento.
O senador enfatizou que a reunião “não foi intermediada por nenhum empresário” e creditou o encontro ao trabalho de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e do jornalista Paulo Figueiredo, que “construíram ao longo de anos um grau de relacionamento ímpar com as esferas políticas americanas”.
A reunião aconteceu no momento em que o filho do ex-presidente enfrenta uma crise em sua campanha após revelação de um áudio para o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
No áudio, o senador negocia dinheiro com o banqueiro para patrocínio do longa “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro, em 16 de novembro de 2025.
O caso abalou a campanha do indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser o representante do bolsonarismo no pleito de outubro. A pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (22) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nove pontos de vantagem sobre o principal oponente no primeiro turno.
Dados de outra pesquisa do instituto divulgada nesta terça mostra que um terço dos eleitores não souberam do caso entre o senador e o ex-banqueiro, mas que dentro do universo dos que tomaram conhecimento do caso, 66% dizem que o pré-candidato agiu mal.
do site band.com.br




